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HISTÓRIA

A herdeira da Coreia se torna a maior torcida da história do Internacional Foi em setembro de 2004, em uma época traumática e de pressão por títulos no Inter, na qual ser colorado era "defender uma causa" e não apenas "torcer", que nasce a Popular. Nesse ponto é importante entender o contexto da época: 2000-2004, ao contrário dos anos 90, foi um período em que as Torcidas Organizadas (TOs) gaúchas sofriam um forte revés, por conta de problemas internos, erros e de ações do poder público que buscavam literalmente fechar as entidades. No mesmo período, começa o "boom" de vídeos na internet. O que mudaria o mundo. E altera-se também o grau de capacidade de conhecer experiências de torcida - seja em visual, cantos e ideologia - em todo o planeta: chegava ao fim à hegemonia de influência de torcidas de Rio e São Paulo no Rio Grande do Sul. Assim, tornou-se viável o que até então era impossível. Assistir, a cada semana, a vídeos atuais mostrando o "desempenho" de torcidas em qualquer canto do mundo, desde a Sérvia até o Uruguai. A situação leva inúmeras torcidas do país à reflexão: precisamos evoluir, podemos fazer melhor - principalmente com o exemplo dos clubes sul-americanos.

Pois em setembro de 2004, em um jogo pelo Campeonato Brasileiro contra o Santos, a ironia do destino proporcionou um momento histórico ao Beira-Rio. Naquela partida, por ordem do Ministério Público e da Brigada Militar, iniciava uma ação que proibia o uso de ingressos de membros de TOs que não tivessem feito um "cadastramento biométrico". A atitude, com o claro objetivo de reprimir, proporciona o ponta pé da revolução: centenas de colorados ativos nas torcidas, sem acesso ao setor de suas TOs, foram obrigados a ir ao lugar mais barato do estádio: o "Setor Popular", na meta do gol iluminado de Figueroa, com entrada principal no Portão 7 e ingresso por R$ 3. O setor era herdeiro da Coreia, o mais importante da história do Beira-Rio, que, vítima da elitização, foi fechada em um atentado contra um patrimônio histórico, folclórico e cultural dos gaúchos. E o setor Popular abrigava dezenas de coreanos fieis.

O que representou um fator fundamental para o nascimento da Popular e o caráter da torcida, sempre voltada às causas populares e não elitistas. Com o ingresso mais barato e a junção de integrantes das três organizadas, coreanos - incluindo ex-integrantes da antiga torcida "Malditos da Coreia" -, além de alguns membros dos recém-criados Diabos Vermelhos (DV) - pequeno movimento de amigos, que já era simpático ao estilo latino de torcer -, o cenário perfeito estava criado para quem defendia a necessidade de o Beira-Rio melhorar: centenas se reuniram próximo à grade que dividia o Setor Popular com o resto da inferior, e passaram a cantar juntos, pela primeira vez na história, no Portão Sete. Tudo no completo improviso, espontaneamente, no calor da hora, com muita cerveja. Ninguém planejou e ninguém imaginava uma mobilização para cantar. Sem instrumentos, faixas, trapos, barras. Os cantos citavam exclusivamente o Inter, sem mencionar nomes de TOs. O grito naquela noite não parou os 90 min e foi o mais forte do estádio, superando as três organizadas. Estava criada a Popular. Quem estava lá passou a ter certeza que ninguém seguraria um novo movimento, no qual bastaria usar a camisa do Inter - sem o fardamento de uma entidade -, com o ingresso mais barato do estádio, fortalecida pela mística da coreia, com um reduto de gente realmente fanática pelo CLUBE - e não por "cultura de TO", disposta a apoiar os 90 minutos, com a determinação de reerguer o Inter e retomar os títulos o mais rápido possível. Os primeiros trapos e músicas No jogo seguinte ao Inter x Santos, a Popular "se formou" novamente. E não parou mais. Sem líder (es), sem qualquer estrutura de sede, sem apoio financeiro, sem reconhecimento do clube, sem materiais, organizando-se basicamente horas antes do jogo, em um encontro para beber entre amigos, sob os eucaliptos perto do Portão 7 ou na concentração oficial do BAR DO MOACIR.

Vale lembrar que naquela época havia muita gente ativa na torcida sem acesso à internet. Com isso, tudo precisava ser feito pessoalmente, em carne e osso, no cimento do Gigante. Sem uma estrutura de "poder", a Popular em 2004 tinha como marca ações através de MUTIRÕES, com uma construção COLETIVA por colorados como BRUNO BOINA, CALI, MIOJO, LEANDRO, TARCISO, RICARDO e LUIS FELIPE. Juntando pequenas quantias de dinheiro, estes mutirões ou através de ações individuais ajudaram a comprar os primeiros foguetes para recepcionar o ônibus do Inter em frente ao MOACIR, rolos de papel higiênico (para jogar no campo), e Entre os que aderiram à ideia de começar um novo "movimento" no Inter (muitos na época usavam esse termo, O "movimento", para denominar a torcida, e não o atual "barra"), alguns tomaram iniciativas individuais ou entre amigos de confeccionar algumas faixas. Entre elas. E uma das pioneiras: o rosto do Dom Elias e a inscrição FIGUEROA 1979. Era uma característica do início da Popular: os ídolos mais importantes eram os dos anos 70 e eles precisavam sem prioridade. Na arquibancada, mas com torcedores que individualmente confeccionaram algumas faixas. Logo, parte dos cerca de 100 a 500 colorados que frequentavam o setor passaram.

Continua...

- Os difíceis 2004 e 2005

- As primeiras viagens-Mais que uma torcida, um movimento social, uma ideologia.

- A divisão que ajudou a unir, com o surgimento da Guarda Popular.

- A simbiose de 2006 - Mesmo com dificuldades, a consagração.

- A nova divisão e a retomada.

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